Parque arqueológico do morro da queimada é divulgado na Alemanha
Iniciativa, que conta com o patrocínio da Novelis,
será apresentada em congresso sobre construções históricas
Berço do nascimento da cidade de Ouro Preto, a região do Morro da Queimada está sendo transformada em um parque arqueológico, onde pesquisadores vão promover trabalhos de escavação que ajudarão a conhecer melhor a história das primeiras ocupações ocorridas no início do Ciclo do Ouro no Brasil. A iniciativa é capitaneada por quem bem conhece do riscado, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), e conta com o patrocínio da Novelis, líder mundial em laminados e reciclagem de alumínio, e que tem em Ouro Preto uma unidade de produção de alumínio primário.
Já em fase de implantação, o projeto ganhou respaldo internacional. Depois de receber elogios na Inglaterra e na Turquia, agora é a vez de ser apresentado no 3º Congresso Internacional sobre Construções Históricas, que será realizado entre os dias 20 e 24 de maio em Cottbus, na Alemanha. “Para nós, é uma honra integrar uma iniciativa tão emblemática como esta. Não se trata apenas de um marco para Ouro Preto, mas sim para todo o País, pois trará à tona detalhes da nossa cultura até então pouco explorados”, destaca Rui Oyama, gerente da Novelis, em Ouro Preto.
Segundo o diretor do IPHAN no município e coordenador geral do projeto, Benedito Tadeu de Oliveira, a intenção é também transformar o local em mais uma atração turística de Ouro Preto. “Estamos mapeando os pontos que serão escavados. Também já estão em andamento atividades de levantamento topográfico, pesquisa histórica, regularização fundiária e dos projetos de habitação, além da implantação do Ecomuseu”.
A proposta do Ecomuseu baseia-se em experiências desenvolvidas nos estados do Rio de Janeiro – Ecomuseu de Santa Cruz – e de Goiás – Ecomuseu do Cerrado – nas quais as comunidades tornam-se parte integrante e ativa do museu. Um dos objetivos centrais do projeto, que contemplará os bairros de Morro da Queimada, São João, Santana, Piedade e São Sebastião, é promover preservação patrimonial junto com melhoria da qualidade de vida da população.
“A ideia do Ecomuseu surgiu durante uma audiência pública realizada pela Câmara de Vereadores, que tratou da delimitação dos parques municipais do Morro da Queimada e da Cachoeira das Andorinhas. A região do Morro da Queimada foi propriedade de Paschoal da Silva Guimarães e é considerada núcleo minerador precursor da formação de Vila Rica”, explica a coordenadora do projeto do Ecomuseu da Serra de Ouro Preto e professora da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), Yára Mattos. Ela acrescenta que foi também nessas imediações que a Bandeira de Antônio Dias chegou, na noite de 24 de junho de 1698, de onde avistaram o Pico do Itacolomi. No local, o padre João Faria de Fialho celebrou a primeira missa.